sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Relato da Aula

Dia 5 de fevereiro de 2011: voltam as aulas no Teatro Escola Macunaíma. Todos estavam ansiosos pela chegada dos amigos, os reencontros, a descoberta de quem seriam os professores no novo módulo, em qual teatro ficariam e outras preocupações que sempre passam na cabeça de qualquer pessoa em um primeiro dia de aula.
Pouco a pouco os amigos chegavam, os olhares se encontravam e, quase automaticamente, partíamos para um abraço de acolhida como nunca fora dado antes. Logo, notamos algo inevitável: várias desistências, os tripulantes conhecidos deixaram o barco e alguns estranhos-estrangeiros subiram à bordo.
Ao olhar a lista, percebemos que teríamos aula de Análise Ativa e Expressão Corporal com o Edu de Paula e de Teoria da Interpretação com o Zé Aires. Poucos conheciam tais professores e a ansiedade era imensa!
Quando conduzidos às nossas novas salas, o silêncio do "primeiro dia de aula" era inevitável. Curiosidade, medo, felicidade... todas as emoções se encontravam e era possível vê-las no rosto de cada um.
Começamos com a aula de Análise Ativa. Todos nos apresentamos, fizemos perguntas para conhecermos melhor uns aos outros e novos exercícios apareceram, propondo-nos mudanças no andar, no olhar e na comunhão dos atores.
A primeira aula girou em cima da adaptação da circunstância. Aceitar o que é proposto em cena e colocar o "eu" na circunstância. "Como eu agiria se eu fizesse aquela personagem?" Esta foi uma das perguntas mais presentes no interior de cada um. Para ajudarmos na adaptação da circunstância, podemos usar o "Mágico Se" como uma espécie de metodologia para encarnar uma personagem - "Se eu fosse o José, como eu agiria?"
Fizemos várias improvisações partindo disso. Entre elas, iniciamos o trabalho com o enredo de "Visita da Velha Senhora". Em uma cidade falida e pobre, os habitantes não têm emprego e vivem da sopa oferecida pelo prefeito Luiz. Clara, humilhada e expulsa pelos moradores do local anos antes, volta à cidade como uma mulher muito rica e dona de várias indústrias. Ela promete revitalizar a cidade, devolvendo aos moradores seus empregos e sua dignidade. Porém, para que isso aconteça, Clara pede a cabeça do prefeito em troca de sua ajuda. Os habitantes podem, então, escolher entre matar Luiz e entregar sua cabeça à mulher ou novamente expulsar Clara da cidade.
Depois de apresentadas as cenas e de um intervalo rápido de vinte minutos, voltamos para o teatro e tivemos uma aula de Expressão Corporal que dispensa qualquer tipo de comentário. Todos saíram absolutamente extasiados pela perfeição da aula e o relaxamento que ela possibilitou para o corpo de cada um.
Finalmente, fomos para a aula de Teoria da Interpretação conhecer o famoso Zé Aires. Conversamos e trocamos ideias sobre o teatro no ponto de vista de cada um. Concluímos que devemos sempre buscar a verdade cênica e, ao entrar em cena, saber qual é o seu objetivo e quais os obstáculos que você precisará enfrentar para conseguir alcançá-lo. O ator é o que ele cria! Sendo assim, doem-se em cena e deixem sempre o criativo e pleno fluírem, buscando a emoção verdadeira.

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