Corpo
Na aula de Corpo, realizamos exercícios de automassagem e reconhecimento dos pés e das pernas. Trabalhamos as quatro partes de cada pé – dedos, metatarso, tarso e calcanhar – e depois seguimos as linhas de cada perna, buscando encontrar ossos e pontos de articulação.
Em duplas, aprofundamos os exercícios da segunda aula, caminhando em círculos (sentidos horário e anti-horário) pela sala e, depois, desenhando um sinal de infinito da mesma forma, acompanhando os oito tempos da música nos dois momentos.
Realizamos também um jogo – espécie de pega-pega com passagem de palmas (era necessário receber a palma e só então repassá-la). A dificuldade é estar atento tanto ao “pegador” quanto à pessoa que está com a palma, pois raramente trata-se da mesma pessoa. Trata-se, então, de um jogo do coletivo e de cumplicidade (é preciso estar aberto ao olhar do outro, para que se possa passar a palma), além de um exercício de atenção.
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Análise ativa
Para o exercício de improvisação, recebemos as seguintes orientações:
a) circunstâncias originais: morte do pai ou da mãe; três filhos voltam do velório; não há ninguém em casa;
b) início da cena: os irmãos voltam para casa, conversando sobre a perda do pai/da mãe; começa a tocar a música preferida do pai/da mãe (o rádio toca sozinho);
c) primeiro conflito: um(a) dos irmãos acredita que este é um sinal enviado pelo pai/mãe, como se ele/ela estivesse tentando estabelecer um contato com os filhos; os outros irmãos saem com medo desse possível contato; o irmão ou a irmã que acredita no sinal convence os demais a participar de um “ritual” para conversar com o pai/a mãe; os três filhos participam do ritual;
d) segundo conflito/ circunstância principal: chega um vizinho ou uma vizinha, movido pela música, e pede para conversar com os irmãos; essa nova personagem revela que tinha um relacionamento com o pai/a mãe e conta que o casal escutava aquela música todos os dias.
e) possibilidades de reação: um(a) dos irmãos pode não aceitar ou não acreditar no vizinho/na vizinha, outro(a) pode acreditar ou aceitar bem a história; não era necessário que os irmãos entrassem em consenso no final, aceitando ou não o envolvimento do pai/da mãe com a vizinha/o vizinho.
Foi preciso delimitar, logo no início, o objetivo das personagens (em uma cena, há tanto o objetivo principal de cada personagem como alguns objetivos menores ou secundários; o grande objetivo do vizinho/da vizinha, por exemplo, é revelar seu envolvimento com o pai/a mãe que acabara de falecer) para que pudéssemos colocar um tom coerente com as circunstâncias e com a sucessão dos acontecimentos.
Para esta cena especificamente, foi preciso lidar também com a memória afetiva, que não é simplesmente uma lembrança da vida do ator, mas uma forma de retomar o processo dos sentimentos e usá-lo na circunstância, de modo a gerar ação dramática e, só então, outro sentimento (dor da morte ou da perda, por exemplo). A verdade, assim como a fisionomia dos atores e a sua sinceridade, decorrem da entrega do ator à personagem e à circunstância (antes de convencer àqueles que assistem, é preciso que o ator esteja convencido daquele momento).
Essa entrega é essencial porque os atores não estão dentro das circunstâncias propostas, o que permite a cada um alimentar de formas diversas seu campo de ideias. A improvisação é o jogo que se estabelece entre as circunstâncias dadas (comuns a todos) e os campos de ideias (individuais).
O processo de conhecimento da cena, então, se dá do desconhecido ao resultado (conhecido), e a Análise Ativa vem dessa construção processual, sempre a partir do texto.
A partir disso, realizamos mais algumas cenas:
1. Cena I – A das irmãs:
a) Circunstâncias dadas: duas irmãs; a mais velha tem ciúmes das próprias coisas; a mais nova vê na irmã um ídolo, um exemplo;
b) Início da cena: a irmã mais nova usa a maquiagem da mais velha e, mexendo em suas coisas, encontra o diário da irmã; lá está escrito que a irmã mais velha tem um caso com o namorado da caçula; chega a irmã mais velha;
c) Conflito: a irmã mais velha nega o próprio diário e a irmã mais nova se sente duplamente traída; chega o namorado, durante a discussão, e a irmã mais nova faz com que ele saia do quarto para continuar a conversa;
d) Circunstância final: a irmã mais velha diz que é culpada, admite a traição e, por não ter outras amigas além da própria irmã, pede perdão (a cena acaba sem que a irmã mais nova decida se perdoa ou não).
2. Cena II – A do funcionário promovido:
a) Circunstâncias dadas: funcionário é promovido e está comemorando em um bar;
b) Início da cena: chega a nova chefe boi mesmo bar; o funcionário não a conhece, mas ela sabe que é seu subordinado;
c) Conflito: o funcionário confunde a chefe com uma prostituta;
d) Circunstância final: a chefe revela ao funcionário quem ela é realmente.
3. Cena III – A da filha grávida:
a) Circunstâncias dadas: filha quer contar à mãe que está grávida durante o jantar;
b) Início da cena: a filha recebe a mãe para jantar; elas conversam; a filha conta de sua gravidez para a mãe, que não aceita o fato (pensando na carreira ou nos estudos da filha);
c) Conflito: a mãe sugere que a menina faça um aborto e ela não aceita; mãe e filha discutem;
d) Circunstância final: a mãe leva a filha ao hospital para depois decidir se deixará a menina ter o bebê.

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