Que a discrição te sirva de guia; acomoda o gesto à palavra e a palavra ao gesto, tendo sempre em mira não ultrapassar a modéstia da natureza, porque o exagero é contrário aos propósitos da representação, cuja finalidade sempre foi, e continuará sendo, como que apresentar o espelho à natureza, mostrar à virtude suas próprias feições, à ignomínia sua imagem e ao corpo e idade do tempo a impressão de sua forma. O exagero ou o descuido, no ato de representar, podem provocar riso aos ignorantes, mas causam enfado às pessoas judiciosas, cuja censura deve pesar mas em tua apreciação do que os aplausos de quantos enchem o teatro.
Hamlet
Ato III - Cena II: Hamlet
Fonte: FARACO, S. Shakespeare de A a Z: livro das citações. Porto Alegre: L&PM, 1999. p.21. (tradução de Carlos Alberto Nunes)
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